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Blog do Cao Zone
 


     A Inauguração da Zona Norte

 

     O próprio nome da cidade contém um pequeno equívoco, São Sebastião do Rio de Janeiro, afinal, acertaram no mês, mas erraram na terminologia rio, já que se trata na verdade de uma baía.

     Mas isso é apenas um detalhe, não podemos nos esquecer de que o inventor da cidade do Rio de Janeiro foi mesmo D. João VI e sua corte, pois antes da vinda deles, nossa cidade maravilhosa era apenas uma sesmaria.

     Inclusive inaugurando em alto astral a Zona Norte.

     Que para fugir da beira mar, com receio de um possível ataque marítimo pelas tropas de Napoleão, o Monarca se instalou na antiga propriedade de Elias Antônio Lopes, quando o casarão da Quinta passou por algumas reformas e se transformou no Palácio Imperial de São Cristóvão.

     Cujo séquito costumava, aos domingos, obviamente se deslocando a cavalo, assistir missas na igrejinha do Outeiro da Glória.

     Formatando, desde então, o elementar axioma carioca: morar na zona Norte, trabalhar no Centro e se divertir na Zona Sul.

     Quando ir à missa, na época, seria a grande diversão disponível.

     Desde então a Zona Norte não mais parou, que o digam os versos dos sambas do Noel Rosa; os enigmáticos textos do filósofo Millôr Fernandes, nascido no Méier; as notas da coluna do Zózimo, no Caderno B, do saudoso Jornal do Brasil, quando relatava extasiado, grandes caravanas de dondocas da Zona Sul indo se divertir na casa de espetáculos Imperator, do descolado Ricardo Amaral, também no Méier.

     O piscinão de Ramos é outro paradigma da região.

     A Vila da Penha, quase um cantão suíço.

     Inclusive a Zona Norte poderia ser uma cidade autônoma que não faria feio. Muito mais... ouso até sonhar num país independente, a Sereníssima República da Zona Norte.   

     Falando, logicamente, um inusitado “zonanortês”, mas isso já é papo para outra coluna.



Escrito por Cao Zone às 12h28
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     Se dirigir... não beba!

     O marido dela fora nada mais, nada menos, que Dwight David "Ike" Eisenhower, o general que conduzira os EUA à vitória na Segunda Guerra Mundial, e logo depois, eleito presidente, fazia um governo de alto desenvolvimento e reconhecimento, os anos cinquenta fluíam, e a sociedade norte-americana flambava seu mais espetacular momento econômico, mesmo assim, sua primeira-dama, ao ser parada numa blitz, dirigindo embriagada, é presa, processada, e cumpre pena. No caso dela, Mamie Ika, uma pena leve de trabalhos sociais, o que a transformou numa das celebridades mais engajada no tema: “Se Dirigir... Não Beba”.
     Depois disso vieram muitos outros casos, Henry Ford II, o todo-poderoso construtor de carros, ficou longo tempo sem poder dirigir um.

     Uma lista de celebridades com problemas de bafômetro, não poderia deixar de fora Mel Gibson; Mickey Rourke; Hugh Grant; Charlie Sheen; Brooke Mueller; Matthew McConaughey; Kiefer Sutherland; Lindsay Lohan; Paris Hilton; Mischa Barton; Nick Nolte; Keanu Reeves; Macaulay Culkin; Vince Vaughn, e tantos outros. Já de brasileiros temos Aécio Neves; Bebeto; Romário.
     Todos esses tiveram a sorte de serem parados numa blitz da Operação Lei Seca, que como sabemos, costuma acontecer antes dos acidentes, com as pessoas, obviamente, ainda em vida.
     Coisa que infelizmente não aconteceu, por exemplo, em 1955, com James Dean, que, provavelmente “encharcado” como sempre, faleceu naquele desastre com seu Porsche 550. Encerrando precocemente uma carreira meteórica no cinema de Hollywood. Ou com o então senador Edward “Ted” Kennedy, nos acontecimentos que ficou conhecido como Chappaquiddick, que em 1963, o senador embriagado, dirigia seu carro que caiu nas águas de um lago, onde morrera sua secretária, e ceifou todas as tentativas posteriores dele em candidatar-se a presidência dos EUA.
     Como podemos ver, uma blitz da Lei Seca pode evitar muitos problemas, mas o melhor mesmo é se beber... não dirija!



Escrito por Cao Zone às 19h19
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     Contrariando prognósticos... os EUA não acabaram!

 

     E aproveitando o momento, o presidente Obama deveria fazer logo um upgrade no sistema, começando por faxinar seu staff.

     Chamar o Rupert Murdoch para diretor da CIA, isso traria essa agência de voltar aos velhos bons tempos das escutas telefônicas clandestinas.

     Contratar novamente a Monica Lewinsky para estagiar no Salão Oval, a Casa Branca iria passar a ser menos Casa Branca, e mais Casablanca, se é que vocês estão compreendendo o espírito da coisa, e claro que estão.

     Seria imprescindível instalar novamente, na cabeceira da cama presidencial, o telefone vermelho, menos para esperar ligação dos russos, e mais para disponibilizar um canal de comunicação ao italiano Berlusconi, pois, vai que ele decide fazer uma daquelas suas espetaculares festinhas.

     Não podemos nunca esquecer que o eleitorado adora um presidente galinha. Falando nisso, é ponto de honra, no próximo aniversário presidencial, a Marilyn Monroe ir cantar o “Happy Birthday mr. President”...

     Instituir novamente aquele homem da segurança, que sempre acompanhava o presidente, levando a famosa maleta das sete chaves, com os botões para disparar os foguetes atômicos, não que se vai efetivamente aciona-los, mas, o mundo com certeza está precisando voltar, a saber: quem manda no pedaço é o presidente dos United States of America.

     Desculpem o humor negro, mas desfiles em carro aberto nem pensar, principalmente, se, em Dallas.

     Parece banal, mas os órgãos de segurança devem trabalhar para que, em entrevista presidencial, o uso de sapatos pelos jornalistas deve ser terminantemente proibido. Esse é inclusive, um pedido pessoal do ex-presidente Bush filho.

     Eu que roendo unhas, caso o default fosse inevitável, já estava planejando um plano B, contratar-se-ia o Cristóvão Colombo para descobrir uma nova América.

     Mas, não só os EUA não acabaram, como os três melhores programas para se fazer na face do planeta Terra continuam sendo: ganhar dinheiro, fazer sexo e dar risada.

     Não necessariamente nessa ordem.



Escrito por Cao Zone às 14h48
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     Começou agosto

 

     Para os chefes de governo inglês, francês, espanhol e italiano, os fatídicos, respectivamente, Camerom, Sarkozyt, Zapatero e Berlusconi, o mês de agosto não poderá ser pior que os outros meses passados desse ano. Já para o português Cavaco, o grego Papandréu e o irlandês Kirk que coloquem logo suas barbas de molho, esse agosto pode reservar uma das suas.
     Temos também os campeões de desastres de 2011; o Osama bin Ladem; o Dominique Strauss-Kahn; o Rupert Murdoch; o Hugo Chávez; cada um com seu calvário.
     No rasto da primavera árabe temos o tunisiano Zine e o egípcio Mubarak já defenestrados e os seus congêneres da Líbia, do Iêmen, da Síria e da Arábia Saudita a caminho.
     Sem nos esquecermos do festival de terremotos e tsunamis no Japão, do primeiro-ministro Kan e essa macabra operação do atirador na Noruega, do primeiro-ministro Stoltemberg.
     Sobrou tampouco para o norte-americano Obama, que chegou até as bordas da bacia das almas da economia do seu país. Que por enquanto conseguiu empurrar com a barriga, mas até quando? Claro que ninguém sabe, já que se trata do maior enigma do mundo atual.
     Enquanto todos nós compreendemos que o déficit aumenta exponencialmente, que não existe luz alguma indicando para uma diminuição desse viés, e que inexiste vontade política, e/ou, vá lá, militar, para atenuar tal déficit público, tampouco se teria uma fórmula de atuar condizentemente nessa questão no intuído de sanar o problema, chegando-se ao cerne da questão, mais ou menos, como já se disse de que, assim como não se sabe como baixar os juros da economia brasileira, igualmente, não se tem notícia de alguém que saiba como pisar no freio da gastança de lá.

     Claro que tudo é finito, mas esse é um imbróglio que está longe de terminar.
     Mas que nesse inicio de agosto, a questão dos EUA passou rente, rentíssimo, como nunca na história daquele país, que só se safou mesmo, por que foi possível arremeter.
     Mas como não se deve esquecer, agosto... apenas começou.



Escrito por Cao Zone às 18h09
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     Viver, morrer... viver Amy forever...

 

     Parece que Deus ao criar a vida e depois a morte (em se tratando Dele, não necessariamente nessa ordem), não previu que os homens um dia iriam viver sob as rédeas dos meios de comunicação, que de modo geral trabalham contra o Criador, já que, quando a celebridade está viva, fazem de tudo para provocar-lhe a morte. E basta essa morrer, para que a mídia em geral passe a trabalhar incessantemente em mante-la... viventi.

     E a Amy Winehouse foi uma das que mais enfrentou, enquanto viva notícia pessoal negativa, claro, muito também pelo motivo que falar mal do comportamento dela sempre fora bem mais fácil que o contrario, já que a própria adorava mesmo um barraco.

     Barraqueira de marca maior parecia uma cascavel a viver de sorver do próprio veneno!

     Muitos dirão, quem procura acha!

     Mas essa não seria a questão, o que me atrai é o mistério da juventude morrer assim tão cedo.

Afinal, a despeito de que para morrer basta estar vivo, ao mesmo tempo em que não devemos acreditar em ninguém com mais de trinta anos, a vida, como disse mestre Picasso, começa mesmo, aos quarenta.

     Depois do livro "The 27’s-The Greatest Myth Of Rock & Roll", escrito por Eric Segalstad e ilustrado magnificamente por Josh Huntere, editora Samadhi, ainda sem edição em português, sobre o mito da morte de vários roqueiros aos 27 anos, é comum na mídia o assunto, ainda mais agora que a Amy morreu justamente nessa fatídica idade.

     Bem... Jesus Cristo, um tremendo roqueiro, considerando as devidas proporções de época, escolheu para morrer a idade de 33 anos. Ficando, portanto, fora desse imbróglio.

     Já Ozzy Osbourne, 63 anos, heavy metal, entre outras participou do Black Sabbath, numa entrevista a revista inglesa NME, News Musical Express, ao ser perguntado sobre essa questão de roqueiro morrer aos 27 anos, foi categórico:

     -Every exception has an rule.

     Um trocadilho ozzyosbourneano aquela metáfora:

     -Toda regra tem uma exceção.


Escrito por Cao Zone às 16h37
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     14 Juillet - Vivre la France    

 

     Nesse 14 de Julho, dia nacional da França, me lembrei do que o francês tem de melhor.  

     Não se trata do vinho, queijo, pão ou a tal da culinária francesa; nem das ideias, cultura, paisagem, música, literatura, jornais; muito menos dos museus, cinemas, teatros; tampouco do perfume, design, moda, compras, way of life, mas, uma espécie de mistura disso tudo e muito, evidentemente, muito mais mesmo, sem sombra de dúvida alguma, o melhor da França continua sendo: a mulher francesa.

 

     De cima para baixo, na primeira linha, da esquerda para a direita, Brigitte Bardot, Carla Bruni, Jane Birkin, Juliette Binoche e Isadora Duncan.

     Na segunda linha, Jeanne Moreau, Coco Chanel, Édth Piaf, Mona Lisa e Catherine Deneuve.

     E na última linha, Kirsten Dunst (no papel de Maria Antonieta, do filme de Sofia Coppola), Silvia Kristel, Milla Jacovich (no papel de Joana D'Arc, do filme de Luc Besson) e Isabelle Adjani.

     A importância delas, não necessariamente nessa ordem. Algumas nem nascidas lá são, mas foi em France que elas desabrocharam para a vida. Ou que se trata das que representaram a personagem em filmes que eu tenho elevada consideração. E a enigmática figura do quadro de Da Vince, já que “ela” atualmente está “residindo” no Louvre de Paris.

     Mas essas são apenas algumas das famosas, não devemos nos esquecer das transeuntes incólumes das ruas. Aquelas, que como diz o poeta: vem e que passa, no doce balanço, a caminho do...

     Ernest Hemingway disse que Paris é uma festa. Claro... e de mulher bonita!

     Áh... -as mulheres francesas-...  que atire o primeiro brioche, quem nunca com elas sonhou!



Escrito por Cao Zone às 22h27
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     A sina de Rebeca na vida de Rupert Murdoch

 

     Como destruir um jornal de 168 anos? Contrate uma Rebeca para administrá-lo.

     Está enganado quem pensar que Rebecah Brooks seja uma livraria. E certíssimo quem compreender que por onde passa uma Rebeca, sempre existira algum rastilho de problema.

     O nome Rebeca tornou-se uma espécie de percursora do mal.

     Alfred Hitchcock chamou de “Rebecca”, 1940, sua personagem maligna do filme do mesmo nome.

     A atriz Rebecca Demornay se especializou em filmes de extrema maldição. Desde sua atuação como Pleyton Flanders, dona de “A Mão que Balança o Berço”, 1992, maligno thriller de Curtis Hanson. Passando por “Dia das Mães”, 2011, em sádica performance no filme de Darrem Lynn Bousman, até esse ainda não lançado, “Apartamento 1303”, 2012, de Ataru Oicawa, que é nitroglicerina pura.

     Rebecca Hall é outra atriz, cujos filmes só pelos nomes, “Sentimento de Culpa”; “Atração Perigosa”; “Em busca de Um Assassino”, já se nota que trilham nesse mesmo caminho do mal.

     No seu livro “A Chave para Rebecca”, Ken Foilett, nos conta que o grande general nazi Erwin J. E. Rommel, na África, em 1942, tem a vitória a escorrer lhe entre os dedos das mãos, depois de problemas com um código fatal enterrado nas páginas do romance de Daphne de Maurier chamado... “Rebecca”.

     Com certeza Rupert Murdoch anda lendo muito relatório técnico, e dando pouca atenção aos filmes que passam de madrugada nos seus canais de TV.

     Caso contrário, ele não estaria dando tanta trela para a sua gerente geral, Rebecah Broocks, aquela enigmática figura de olhos de capeta, em rosto emoldurado por singelos cabelos cacheados.

     Alguns anéis já se foram, o jornal “News of the World” é um deles, mas outros ainda estão no mesmo caminho.

     Se o dr. Rupert não se desfizer da sua “Rebecca”, acaba perdendo muito mais que apenas anéis!

     Penso até que se aquele apavorante personagem de filmes de pesadelos diversos, Freddy Krueger tivesse uma namorada, ela na certa, se chamaria “Rebecca”!



Escrito por Cao Zone às 12h08
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     O neoliberalismo, a dama de ferro y otras cositas más...

 

     A diretora britânica Phyllida Lloyd, com a espevitada atriz Meryl Streep no papel de Margareth Thatcher, trabalha na pós-produção do filme, The Iron Lady.

     Agora, depois da passagem de Alan Greenspan pelo FED, ficou muito fácil avaliar que a escola de Chicago estava errada e o bom e velho Adam Smith também, mas foi preciso primeiro a águia norte-americana pousar; o dragão japonês dormir; aquela mistura de brasilia-amarela com fuscão-preto que se tornou a CEE enguiçar no acostamento; alguns tigres asiáticos ficarem estátua; e até a própria serpente chinesa, meio que já está falando em deixar cair a peteca, quer dizer... a maçã.

     Tudo para que o mundo soubesse que os mercados solitos, não fazem nada, sem amarras, são uma temeridade, pois precisam mesmo é de um forte arreio e duro chicote no lombo.

     A partir dos anos 70, a retomada do liberalismo clássico, convencionou-se a chamar de neoliberalismo, aquilo que a esquerda adora falar dos outros e a direita torce o nariz quando ouve.

     Foi a mão de ferro de dona Margareth quem primeiro implementou, num governo democrático, esses estímulos para incrementar as empresas privadas, paralelemente com cortes de impostos, já que taxas seriam consideradas apenas uma oneração a mais em cima do capital.

     Isso quer dizer que o governo de FHC não foi neoliberal, já que além de instituir programas assistencialistas, interviu na economia e também aumentou a carga tributaria brasileira,

     No período Regam, a economia constituiu-se de predicados, que na administração seguinte, de Bill Clinton, se tornou um dos mais prósperos períodos de toda a história norte-americana. Sem falar no Japão, que passou os anos 70 e 80 crescendo assustadoramente.

     Até que então, o modelo se reverte, já que o neoliberalismo se mostrou muito bom para acelerar, mas manter alta a rotação é mesmo outro departamento, pois assim como todo baile de terça-feira gorda de carnaval, agora, nós todos sabemos, também o neoliberalismo, tem hora certa para acabar, uma vez que, após meia-noite, já é quarta-feira de cinzas.

     Ou como diz lady Thatcher no filme:

     - Esse é o ponto. Se você quer ser direto!



Escrito por Cao Zone às 15h52
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     E o Piano Encontra o Violino

 

     Ela, Luli Oswald, filha que tiveram fora do casamento, o pianista internacional Arthur Rubinstein e a aristocrata italiana Paola Viaggiano Medici e Boufremont, que para esconder a criança, a mãe viera tê-la aqui no Brasil, e o maestro Henrique Oswald, suíço radicado brasileiro, amigo do Arthur, assumiu a paternidade.

     Luli na metade da década de 70, já pianista de grande sucesso internacional, com os filhos criados, e viúva, vivia num prédio no bairro da Glória, perto do Teatro Municipal e da Sala Cecilia Meireles, dois dos maiores centros de música clássica na cidade do Rio de Janeiro.
     Ele, André Rieu, um mísero mortal, longe de se tornar o violonista e regente aclamado como o "rei das valsas", passava uma temporada no apartamento de Copacabana do pianista cearense Jacques Klein.  
     O prédio da Glória se compõe de três blocos em triângulo, de maneira que formam um grande átrio interno, e é justamente por esse espetacular espaço que os condôminos costumavam se envolverem pela música do piano de Luli.

     Isso acontecia em muitas tardes ensolaradas, mas naquela, objeto desse assunto, a coisa mudara, aonde o piano ia, um violino vinha atrás, ou seria o contrário, o piano seguia o violino?  

     Esse colóquio durou a tarde toda, o início da noite, a noite, e até de madrugada, partes do folguedo, ainda era possível ser ouvidas.
     Dias depois, a coluna do Zózimo, no Caderno B do Jornal do Brasil, deu duas notas distintas, mas que tinham tudo a ver com esse assunto:
     Numa, importante pianista era esperada e não comparecera ao jantar em elegante casa do Jardim Botânico.

     Noutra, jovem holandês estudante de música, faltara à reunião num apartamento do Morro da Viúva.
     André tem uma queda especial pela mulher brasileira, já que sua principal solista em turnês internacionais é justamente a estonteante Carmen Monarcha, nascida em Belém do Pará.



Escrito por Cao Zone às 18h37
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     Tenho Novo Ídolo

 

     Como não se ligar num cara que diz textualmente: "só informar não basta, é preciso também emocionar"!

     Falo do espevitado Chip Heath, entre muitas outras coisas é psicólogo; colunista da Fast Company, uma revista de negócios nos EUA; professor de Comportamento Organizacional da Graduate School of Business, na Universidade de Stanford; e coautor dos livros, "Ideias que Colam - Por que Algumas Ideias Pegam e Outras Não?" (2007), e, "A Guinada - Maneiras Simples de Operar Grandes Transformações" (2010).

     Chip tem como coautoria nos livros acima, seu irmão Dan Heath que é consultor na Duke Corporate Education e cofundador da Thinkwell, uma editora inovadora que apresenta aulas virtuais utilizando tecnologia de última geração.

     Mas só Chip está nesse Fórum HSM Inovação & Crescimento, nessa semana em São Paulo.

     Se você não o conhece, fique esperto; se não conhece-lo nos próximos 30 dias, reveja toda a sua estratégia de informação, alguma coisa muito grave está acontecendo com você. Quer dizer, só com você não... com sua empresa também!

     Mas fique tranquilo, não tem mistério, os publicitários que de muito tempo já comungam com Chip Hearth, são categóricos, você por acaso se lembra de algum comercial racional? Não. Só emocional né?

     Se funcionou tão bem para vender, esses anos todos, por exemplo, cigarros, um produto, digamos assim, difícil, por que não daria certo, com a sua ideia, que como todos nós sabemos, vai incrementar toda a vida aqui na terra. Mas não se esqueça, caso não emocionar, suas chances são exencialmente reduzidas.

     Como aproveitar a essência de uma ideia, sem transformá-la em algo sem sentido?

     Mas você não precisa fazer como aquele cientista, vencedor do Prêmio Nobel que bebeu uma taça de bactéria para provar um conceito sobre úlceras estomacais, porém, emocionar é fundamental!



Escrito por Cao Zone às 20h24
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     Meu filho está com hipster

 

     A nonna Janete tinha ido à escola buscar o Tom, e fuçando na mochila, achou a agenda escolar, e lá estava a mensagem escrita em letras da própria professora, aquela tragédia:

     O Tom está com hipster.

     Ela ainda leu mais que uma vez, suas pernas balançaram tanto, que voltou com a criança de taxi.

     No caminho comunicou sua filha, e mãe do Tom, a Ana, que imediatamente cancelou a consulta em andamento, e desmarcou todas as ainda cinco que faltavam fazer, naquele fim de dia e começo de noite no seu consultório de psicologia clínica. Aflita, se mandou correndo para casa.

     No trajeto comunicou o pai, quer dizer eu, que fechei o arquivo que estava escrevendo e rumei para o apartamento, no percurso ainda pensei:

     - Será que alguém de minha família morrera de hipster? Será uma doença hereditária? Só consegui me lembrar de um tio que tivera epilepsia!

Chegando ao lar, estavam todos na sala, cortinas fechadas, ambiente tenso, a nonna foi logo falando:

     - Ele ainda não está com febre, mas hipster não tem cura.

     A mãe relutava entre, procurar no seu dicionário de inglês o termo hipster e/ou ligar para a pediatra dra. Cristina, para comentar sobre o fato.

     Nisso o Tom volta do quarto, onde fora trocar o uniforme escolar:

     - Gente... estão todos reunidos... tenho uma novidade para dizer.

     A Ana ainda retrucou:

     - Se você não quiser comentar nada... nós compreendemos meu filho.

     No que o garoto foi categórico:

     - Não, eu acho “cool”, e essa minha maneira de ser “retrô”, fez a turma prestar essa homenagem, me tornei o principal hipster da sala.

     E continuou:

     - Hipster é a maneira como eu gosto de me vestir, pentear o cabelo, acessar sites, ver vídeos e conversar com meus colegas de classe. Nesse sentido, minha professora me colocou como o hipster da semana... não é maneiro gente?

     No que eu prontamente respondi aliviadíssimo:

     - Penso que na vida nunca achei uma coisa tão marcantemente maneira como essa.

     - Parabéns meu filho.

     - Ufa... não é nada fácil ser pai hoje em dia!



Escrito por Cao Zone às 15h55
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     A Leitura no Brasil

 

     O sol nas bancas de revistas!

     Quem lê tantas notícias?

     Meio que acompanhando a canção do Caetano, sempre pensei ao olhar uma banca, nossa... quanta revista! Será que alguém lê tanta notícia?

     Claro, elas só estão ali expostas pelo singelo motivo de que alguém compra!

     A leitura no mercado brasileiro sempre foi controversa.

     Afinal, brasileiro sabe ler?

     Lê muito?

     Lê pouco?

     Embora cada projeto editorial segue seu próprio rumo, de modo geral, os livros são impressos em pallets de 10.000 unidades, três impressões, ou seja, 30.000 unidades, já são consideradas um livro de venda. Nos EUA seriam 10 vezes mais, 300.000 unidades.

     Quando a revista Veja foi lançada em 1968, vinha com o termo: Veja e Leia. Junto ao logo Veja estava escrito a palavra leia. Penso que seria o receio de que o leitor só visse não lesse.

     O jornal de maior circulação no Brasil teve mês do ano retrasado que sua tiragem chegou perto de 10 milhões de cópias, mas juntos, os 16 maiores, não chegam a 2,5 milhões num domingo.

     Tenho também notado que no cinema do Brasil é comum o “legendado”, coisa que nos EUA e na Europa, não existem, é tudo “dublado”. Já que um filme “legendado” em alguns mercados, não é bem recebido. Será que nós lemos mais que eles?

     E recentemente saiu a notícia:

 

     (...) O brasileiro é quem mais acessa jornais on-line por meio de aparelhos eletrônicos como smartphones, tablets, e-readers, tocadores de música e videogames, segundo levantamento da comScore, empresa que mensura dados de internet em todo o mundo. Numa lista de 13 países, o Brasil é seguido pelo Chile e pela Grã-Bretanha como o mais interessado em acessar sites jornalísticos por aparelhos que não sejam desktops e notebooks (...)

     

     Só nos resta agora, quantitativamente, saber dirimir o poder da notícia.



Escrito por Cao Zone às 14h03
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     Os Grandes Inimigos dos Cariocas

 

     Não seria necessário conhecer muito a índole carioca, para saber que seu grande inimigo sempre fora, e continua sendo, o silencio e a chuva. Já que, com silencio não há festa. E com chuva não existe praia.

     Claro que a bala perdida, o consumo de drogas, a venda de armas, incomodam e devem ser combatidas como eminentemente estão sendo, via UPP(s) – Unidades de Polícia Pacificadora e outros meios, já que essa batalha precisa mesmo envolver toda, eu disse toda, a comunidade.

     A corrupção em todos os níveis tem tirado, e muito, do brilho genuinamente carioca,

     Cada um em sua própria época, o Escadinha quando assaltava suas vizinhas que voltavam do trabalho; o Silveirinha, pelo enorme volume de dinheiro envolvido; o Elias Maluco, que até micro-ondas tinha para torrar seus desafetos. Mas a sociedade, quer dizer a Justiça, sábia, está conseguindo lidar com eles.

      A morte do saudoso Tim Lopes não foi em vão.

     Claro que aquelas histórias de cafajeste, malandro, querendo levar vantagem em tudo, impingiu aos cariocas um axioma negativo, mas os verdadeiros habitantes dessa terra nasceram mesmo para brilhar, e no lado positivo da vida.

     -Maestro, por favor, solta aí aquela batida eminentemente tradicional do estilo Bossa Nova, para todos lembrarem o verdadeiro espírito carioca. Sem esquecer o velho e bom samba de raiz. Ou as marchinhas carnavalescas dos saudosos idos de outrora.

     Mas hoje, novo problema paira sob nossa cidade.

     Posso afirmar com toda convicção, ou mesmo medo, como queiram, mas no rol dos inimigos público do carioca, está a eminentemente descarada explosão dos bueiros da companhia de eletricidade local, a famigerada Ligth.

     Só nesse último sábado foram duas, sem contar as muitas nesses últimos meses, ou o Rio acaba com essas explosões covardes, ou by by nosso sonho turístico-esportivo.



Escrito por Cao Zone às 12h49
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     Eu furtei o turista que caiu do bonde nos Arcos da Lapa

 

     Meu nome é ninguém, não sei quem é meu pai, e só tenho leve lembrança de minha mãe, conforme os outros me dizem, devo ter uns 10 anos, sou magrelo de pouco comer, estou começando a perder os dentes, e não mais consigo dormir sossegado, tenho algumas visões, ou seriam sonhos? Mas também pode ser pesadelos, não sei direito!

     Trabalho para uma pessoa que diz ser meu tio, trabalho duro, sou olheiro para ele, em atividades como, venda de pequenas pedras de craque, furtos diversos, também tomo conta de crianças, faço pequenos roubos em supermercados, e dou pinote com bolsas de madame, tanto aqui na região da Lapa, como no aterro do Flamengo, ou no calçadão de Copacabana.   

     Mas eu gostaria de me especializar em bater carteira, ou roubar celular.

     Nunca joguei bola, nem empinei pipa, não sei andar de bicicleta, nem nadar ou mergulhar, só tomo banho em laguinho de praça pública, nunca escovei os dentes, nem penteei o cabelo, me visto com um short que encontrei no lixo, e com uma camiseta que ganhei de uma velhinha, o tênis que ela também me deu já me roubaram, ando descalço, mas tenho um par de sandálias mocosadas numa parada lá do Passeio Público.

     Atualmente durmo com uma turma sob os Arcos da Lapa, mas já estive num abrigo da Prefeitura, não sei o nome do lugar, mas era no interior, bem longe daqui, tinha que levantar cedo, trabalhar capinando, eu fugi num bonde e depois conheci esse que  diz ser meu tio, e com ele voltei para a região da Candelária, mas o meu tio aprontou com um cara de lá, e fomos obrigados a fugir aqui para a Lapa.

     Não sei ler ou escrever e não me lembro de ter-me visto numa foto. Mas conheço de longe uma boa máquina fotográfica, ou um binóculo.

     Nunca vejo TV, a não ser as de vitrine de lojas, já tive um radinho, mas me roubaram, nem liguei, já que escutava umas músicas que não conhecia.

     Na verdade não conheço música alguma. Uma vez estávamos cantando numa turma e alguém disse que se tratava de samba de roda, mas não tenho a mínima certeza.

     Já pedi muita esmola, mas nunca recebi nada.

     Só gostaria que alguém me tirasse dessa vida, pois se continuar assim vou morrer logo.

     E isso eu não queria.

     Eu quero mesmo é... viver!



Escrito por Cao Zone às 12h02
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     Cars 3

 

Para: walt@disney.com

De: zecarioca@lapa.net.br

 

      Prezado tio Walt,
     O mundo dos baixinhos está realmente em polvorosa, e o dos pais deles também, depois desses longos anos de espera, finalmente estamos vivendo o lançamento mundial do sensacional filme de animação e aventura: CARS 2.

     O primeiro foi magnificamente ambientado no interior dos EUA, na prosaica cidade de Radiator Springs, onde tudo se inicia, e também em Los Angeles. Esse agora, além da cidade base, se passa também com soberbas incursões no Japão, Inglaterra, França e Itália.

     É justamente por esse motivo que estou escrevendo para o senhor.

     Proponho que seja levada em conta minha sugestão para que a continuação, o CARS 3, seja filmado aqui na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, Brasil. 
     Muitos motivos nós temos para isso.

     Estamos preparando a cidade para a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016. Nossa população tem charme, suingue e uma maneira ensolarada de viver.

     Adoramos música.

     Enfim, somos genuinamente alto astrais.
     Posso descrever algumas situações para as filmagem:
     Só pra começar, que tal um racha da turma pelas sinuosas curvas, montanha de um lado, mar de outro, da av. Niemayer?
     O final da Copa Pistão já está marcado, será no Maracanã. Sim o maior do mundo. E os treinos também podem ser disponibilizados no Engenhão, com pista azul.
     O Xerife poderia colocar seu Chevrolet Bel Air Police Car 1954, no gramado de uma das curvas das pistas do aterro do Flamengo.
     Nossa... essa Sally Carrera é mesmo uma gracinha. Uma perfeita garota de Ipanema.
     E aí McQueen... já levou a Sally pro futevôlei nas areias das dunas da Gal, em Ipa?

     Manera ai meu irmão, de noite é comer hot dog Genial na lagoa Rodrigo de Freitas.
     Luigi, sua loja de pneus está na rua da Passagem, em Botafogo, e a filial, novinha em folha, recém-inaugurada, na av. das Américas, na Barra, mas você faz point num dos postos Petrobras da av. Atlântica em Copacabana. Onde inclusive, estaciona também o espevitado Tom Mate.
     Sargento, seu Auto Centro Comercial fica em São Cristóvão. O que? Ainda não deu pra abrir uma filial na Barra? Até o final do filme você consegue!
     Pois é tio, nós também temos criatividade.
     Forte abraço do seu sobrinho,
     Zé Carioca



Escrito por Cao Zone às 11h59
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